quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vazamento de petróleo desafia a tecnologia no Golfo do México

s 22h do dia 20 de abril houve uma explosão no Golfo do México. Onze funcionários da empresa British Petroleum ficaram desaparecidos no acidente. Desde então, formou-se uma corrida contra aquele que pode ser tornar em breve o maior derramamento de óleo já ocorrido nos Estados Unidos, e um dos maiores da história – somando todas as manchas, a área é comparável ao tamanho de um país como Porto Rico.

O acidente ocorreu em uma região de intensa exploração de petróleo, a 65 quilômetros da costa do estado americano da Louisiana.

Quando a plataforma Deepwater Horizon pegou fogo, um sistema automático deveria ter fechado imediatamente uma válvula no fundo do mar. Deveria, mas não fechou.

O equipamento de emergência falhou e, quando a plataforma afundou, dois dias depois, a tampa do poço ficou aberta. E há 12 dias o petróleo vaza sem interrupção.

E agora que o equipamento falhou, interromper o vazamento de quase um milhão de litros de petróleo por dia no Golfo do México, e que acaba de chegar a uma reserva natural?

Bastaria girar a válvula e o poço ficaria fechado para sempre. Mas o equipamento está a mais de 1,5 mil metros de profundidade.

Robôs
E aqueles que seriam a única esperança estão há quase duas semanas tentando. Robôs submersíveis controlados à distância primeiro tentaram o mais simples: apertar um botão que fecharia a válvula. Nada feito. Eles agora usam ferramentas, como alicates e cabos conectores na tentativa de consertar o defeito.

"Temos um robô trabalhando especificamente na válvula na boca do poço. Outros estão tentando fechar os vazamentos na tubulação e temos ainda outros robôs monitorando a área para saber se não há ainda mais óleo vazando", explicou ao Fantástico a representante da British Petroleum, Marti Powers.

Perguntada por que os robôs não tiveram sucesso até agora, Mari Powers diz, simplesmente, que não tem como responder.

Em um sinal de desespero, os comandantes da operação apostam em várias estratégias ao mesmo tempo.

Dreno
Já está em construção em um estaleiro próximo uma enorme estrutura metálica, uma câmara de contenção que será colocada sobre a região onde o petróleo está vazando. Por uma espécie de dreno, o óleo contido seria levado até navios-tanque e retirado do mar.

A complexidade da outra estratégia confirma: o vazamento pode demorar meses.

Uma plataforma móvel está sendo rebocada até o local e nos próximos dias começa a perfurar um novo poço ao lado do que está vazando. Pela nova tubulação, os engenheiros pretendem injetar cimento e finalmente bloquear a passagem do petróleo pelos dutos danificados.

Demora
No começo do acidente, dizia-se que o petróleo na superfície do Golfo do México era só uma pequena quantidade, o que sobrou da plataforma perdida. Na última quinta-feira (29), nove dias depois, engenheiros perceberam que vazava quase um milhão de litros por dia. Foi só aí que o presidente Barack Obama veio a público e montou uma força tarefa do governo.

Em uma embarcação da Guarda Costeira, a equipe do Fantástico viajou quase duas horas pelo Rio Mississippi até a entrada do Golfo do México.

No caminho, os primeiros sinais da megaoperação montada para reduzir o impacto do óleo sobre a reserva ambiental que se forma em torno do rio: mais de 60 quilômetros de barreiras.

Mas a ajuda também chega pelo céu. Aviões jogam dispersantes sobre a mancha, perto de um milhão de litros até agora. É uma espécie de sabão que provoca uma reação química, quebrando o óleo em partículas menores. O óleo se dilui na água e pode ser digerido por bactérias marinhas que usam essas partículas como alimento.

"Pela primeira vez estamos usando dispersantes também na origem, no próprio poço", explica Patrick Keley. "Só assim podemos dissolver o óleo antes que ele chegue à superfície".

Em outra frente, 75 barcos e mais de duas mil pessoas tentam retirar do mar o máximo possível do petróleo derramado. Mas, apesar dos esforços, a cada segundo o volume aumenta. O combustível se espalha e muda de forma.
Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/05/vazamento-de-petroleo-desafia-tecnologia-no-golfo-do-mexico.html

Estudo: tempestade derruba meio bilhão de árvores na Amazônia

Um estudo realizado por cientistas brasileiros e norte-americanos concluiu que uma violenta tempestade de grande porte ocorrida em janeiro de 2005 causou a perda de mais de 500 milhões de árvores na Região Amazônica, o equivalente a três anos de desmatamento na Amazônia Legal.

Tempestade na Amazônia 2005

Os dados foram computados utilizando-se imagens de satélites e relatos de habitantes que viviam próximos às áreas afetadas e refletem o ocorrido entre 16 e 18 de janeiro de 2005, quando uma vasta linha de instabilidade de 200 km de largura e 1000 km de comprimento vinda de sudoeste atravessou a bacia amazônica. O fenômeno provocou pesadas tempestades que causaram diversas vítimas fatais em Santarém, Manacapuru e Manaus.

Na ocasião, ventos verticais com até 140 km por hora partiram árvores ao meio. Em muitos casos, as árvores atingidas derrubaram outras espécies vizinhas, em um verdadeiro dominó de destruição.

O estudo será publicado esta semana na revista científica Geophysical Research Letters e foi elaborado por pesquisadores da ESALQ - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, ligada à Universidade de São Paulo, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPA), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Universidade estadual Paulista (UNESP) e Tulane University, de Nova Orleans, EUA.


Estudo
De acordo com o professor Edson Vidal, da ESALQ, existem em média 180 árvores por hectare na Região Amazônica. Segundo Vidal, a análise feita pelo INPE entre 2007 e 2009 mostrou que foram desmatados 32.026 quilômetros quadrados. Isso equivaleria à 576 milhões de árvores derrubadas no período da tempestade.

seca na amazônia

Estudos anteriores já atribuíam o aumento na mortalidade das árvores em 2005 à forte seca prolongada que atingiu parte da floresta, mas o novo estudo identificou novas áreas atingidas e que não haviam sido computadas na ocasião, incluindo quedas de grupo árvores menores que não são detectadas pelo satélite, mas foram relatadas pelas pesquisas de campo.

No entender de Robinson Negrón-Juárez, da Universidade de Tulane, nos três dias da tempestade, entre 441 e 663 milhões de árvores foram destruídas em toda a floresta. Isso equivale a três anos de desmatamento na região da Amazônia brasileira. Nas áreas mais atingidas constatou-se que cerca de 80% das árvores foram derrubadas.

"Tempestades destrutivas que se movem do nordeste em direção ao sudeste da Amazônia são relativamente comuns e ocorrem até quatro vezes por mês. Raras e pouco estudadas são os sistemas que sem movem em direção oposta, como esse que ocorreu em 2005", disse Negrón-Juárez.

Segundo os autores do trabalho, o estudo revelou perdas muito maiores do que se pensava e sugere que devido às mudanças climáticas, tempestades altamente destrutivas deverão se tornar mais comuns naquela região, destruindo mais árvores e aumentando ainda mais as concentrações de carbono na atmosfera.


Fotos: No topo, troncos de árvores vivas são vistos dois anos depois que a forte tempestade varreu parte da bacia amazônica em janeiro de 2005. A tempestade abriu grandes clareiras na área da floresta próxima de Manaus. Na sequência, foto mostra o lago próximo à cidade amazônica de Manaquiri e reflete os efeitos da seca que se abateu sobre a região no mesmo ano. Crédito: Tulane University / Greenpeace / Apolo11.com.

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Fonte: Apolo11 - http://www.apolo11.com/clima.php?posic=dat_20100714-090759.inc


Tempestade solar deve atingir a Terra até quarta-feira

Dois eventos solares em andamento devem causar manifestações na alta atmosfera terrestre nas próximas 72 horas. Imagens captadas pelo satélite SOHO mostram um grande buraco coronal no disco solar, além de duas manchas solares de grande porte rotacionando suas faces em direção à Terra.

Buraco coronal em 12 de julho de 2010

Dados computados pelo Space Weather Prediction Center, SWPC, órgão ligado à Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA, indicam que existem até 30% de chances de ocorrências de auroras boreais nas latitudes mais elevadas e até 10% de probabilidades nas latitudes médias do planeta. O motivo seria um grande buraco na coroa solar, que sopra partículas eletricamente carregadas em direção à Terra.

Enquanto a maior parte dessas partículas vindas do Sol são bloqueadas ao se chocarem contra a magnetosfera da Terra, outra parte é desviada em direção aos polos. Isso provoca as chamadas auroras boreais, luzes multicoloridas, principalmente esverdeadas, produzidas pela ionização do gás presente na alta atmosfera do planeta.

Apesar do nome remeter à uma possível catástrofe cósmica, os buraco coronais são eventos comuns e consistem de áreas onde a coroa solar é mais escura, fria, e possui densidade de plasma abaixo da média que a região ao redor. Nestas regiões, as linhas do campo magnético, por serem unipolares se estendem indefinitivamente no espaço ao invés de retornarem ao Sol, permitindo que parte do material da coroa vaze. Quando o a face do buraco está voltada em direção à Terra, o material ejetado é soprado em direção ao planeta, em um fenômeno conhecido como "vento solar".

Além do buraco coronal registrado nas imagens do satélite SOHO, a presença de duas manchas na face visível da estrela também deve provocar interferências aqui na Terra.

mancha solar em 12 de julho de 2010

De acordo com o SWPC, existe até 15% de chances de que essas manchas, batizadas de 1087 e 1088, causem flares solares de Classe M até quarta-feira, dia 14 de julho.

Rajadas (ou flares) dessa categoria são considerado como de média intensidade e provocam fortes perturbações na alta atmosfera terrestre, principalmente a ionosfera, e são responsáveis por provocar blackouts de radiocomunicação que afetam diretamente as regiões polares.

Veja o boletim de tempestades solares


Fotos: No topo, imagem feita pelo Observatório Solar e Heliosférico SOHO no comprimento de onda de 195 Angstroms (ultravioleta) mostra o buraco coronal e as manchas solares 1087 e 1088, como vistas em 12 de julho de 2010. Acima, imagem animada captada pelo mesmo satélite mostra o desenvolvimento das duas mancha solares, que devem provocar tempestades solares de classe M até quarta-feira, dia 14 de julho. Crédito: SOHO/ESA/NASA/APOLO11.COM.

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Estudo diz que mar avança 4 milímetros por ano no Brasil

Um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Marés e Processos Temporais Oceânicos (Maptolab) do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP), revelou que o mar na costa brasileira está avançando cerca de 40 centímetros por século, ou 4 milímetros por ano.

Praia do Bessa, Paraíba
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A pesquisa se baseou em dados coletados em diversos portos ao longo do litoral do Brasil desde 1980. Os estudiosos levaram em conta as médias de variações diárias, sazonais e anuais do nível do mar, o que permitem uma melhor avaliação local de longo prazo.

Para tanto, foram distribuídas estações permanentes de medição ao longo de toda a costa com a participação de diferentes instituições. O Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), a Diretoria e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil, o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o IO participam das pesquisas.

Gráfico de elevação do Nível do Mar em Macaé, RJ

Diversos itens podem influenciar na alteração do nível do mar, entre eles, o volume de água doce presente no oceano em decorrência do degelo polar, a variação de salinidade da água, a alteração de temperaturas em consequência do aquecimento global, fenômenos atmosféricos e oceânicos, como a influência dos ventos e das marés, além do posicionamento das órbitas dos planetas.

O professor e pesquisador Afranio Rubens de Mesquita, do Maptolab, chama a atenção para a variação vertical da crosta terrestre observada durante medições de sua equipe na região de Cananéia, litoral sul de São Paulo. Um movimento de afundamento vertical da crosta de 0,11 centímetros por ano, está elevando o nível do mar em 0,38 centímetros por ano.

Outras séries de medições ao longo do litoral do país indicam a mesma tendência de elevação. O pesquisador explica que esse número é preocupante e que o mar poderá ameaçar toda costa brasileira no futuro. Um estudo em caráter global seria essencial para compreender melhor o problema, mas são muitas as dificuldades e poucos recursos financeiros.


Santa Catarina
Desde o início do mês, ressacas vêm atingindo o litoral de Florianópolis, em Santa Catarina, gerando diversos prejuízos. Na praia da Armação, no sul da Ilha, o mar avançou 10 metros no último sábado (22). Segundo a Defesa Civil, sete casas tiveram que ser interditadas e algumas foram arrastadas pelas águas ainda nesta quarta-feira (26). O Exército e a Marinha estão trabalhando para formar barreiras de contenção com sacos de areia. A passagem de um ciclone extratropical pelo oceano contribuiu para a agitação marítima.
Foto: No topo, destruição causada pelo avanço do mar na praia do Bessa, litoral norte da Paraíba. Os altos muros de proteção servem de barreira para impedir a entrada da água nas casas. Abaixo, o gráfico mostra a elevação do nível do mar na região de Macaé, RJ, entre os anos de 2002 a 2006. Crédito: Apolo11/IBGE.

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Nasa capta degelo surpreendente em geleira da Groenlândia

A agência espacial americana (Nasa), monitorou através de imagens de satélite, o desprendimento de um bloco de gelo de 7 km² pertencente à geleira Jakobshavn Isbrae na costa oeste da Groenlândia. O processo de rompimento ocorreu entre os dias 6 e 7 deste mês. O pedaço de gelo perdido equivale a um oitavo do tamanho da ilha de Manhattan (NY).

derretimento do gelo na groenlândia

Os cientistas ficaram surpresos com a rapidez do episódio. Um degelo detectado assim em poucas horas foi considerado um fenômeno novo para os estudiosos. "Embora tenham ocorrido outros eventos da mesma magnitude no passado, esse caso é incomum porque vem logo após um inverno mais quente em que não há gelo formado em torno da baía", declarou Thomas Wagner, cientista da agência americana.

Uma equipe de pesquisadores tem monitorado a Groenlândia e suas geleiras resultantes utilizando imagens de satélites e as observações só reforçam a teoria de que o aquecimento dos oceanos tem sido responsável pelo derretimento do gelo observado em toda região e na Antártida.

Os satélites Landsat, Terra e Aqua ajudam a dar uma noção ampla da transformação do gelo em ambos os pólos. Na recente observação, os pesquisadores receberam imagens da DigitalGlobe e do WorldView 2 mostrando as fendas e as rachaduras se formando.

Além do sensoriamento remoto, a Nasa vai financiar a implantação de GPS, câmeras e equipamentos científicos no topo do gelo para acompanhar a evolução da transformação da região.

derretimento do gelo na groenlândia ao longo dos anos

O glaciar Jakobshavn Isbrae diminuiu mais de 45 quilômetros nos últimos 160 anos, sendo 10 quilômetros só na última década. Para os cientistas, 10% de todos os icebergs que se desprendem na Groenlândia procedem da geleira de Jakobshavn. Assim sendo, ela é considerada a maior contribuinte para o aumento do nível do mar no hemisfério norte do planeta.


Fotos: No topo, a imagem de satélite mostra à esquerda o início da ruptura do bloco de gelo no glaciar Jakobshavn Isbrae, na Groenlândia, no dia 6 de julho de 2010. O desprendimento total do bloco de gelo captado pela Nasa um dia depois aparece à direita. Abaixo, o rápido recuo da geleira Jakobshavn nos últimos anos. Crédito: Nasa.

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